domingo, 7 de fevereiro de 2016

Da Felicidade ao Pesadelo

Na época do carnaval não saímos como de costume.
Geralmente viajávamos para algum lugar divertido, nos fantasiávamos e a diversão era certeira. 
Dessa vez não saímos de casa, nem sequer fomos à rua à uma quadra do nosso apartamento para ver os blocos do baixo augusta.

Eu não estava entendendo porque. A mamãe dizia que estava dodói e que estava de repouso então não poderia fazer nada de esforço. 
Tudo bem. Passamos a tarde deitadas juntinhas, assistindo filmes enquanto o papai ia ao mercado comprar guloseimas e algumas coisas que estavam faltando em casa.

A tarde seguiu assim, entre filme e pipoca, sonecas e cócegas até anoitecer. 
Papai fez um jantar tão bom, mas tão bom que comi tudo sem reclamar e repeti mais uma vez.

Eles ficaram orgulhosos e disseram que eu estava crescendo muito rápido.
Eu não quero crescer. Juro por D-us. Quero caber no colo da mamãe pro resto da vida e ser tão amada por eles que até dói o coração de pensar em nos separarmos um dia.

Ficamos na cozinha mais um tempo, nós três conversando e rindo e eles tão lindos me fazendo mimos, ao fundo tocando Nothern Sky - Nick Drake e eu sentindo todo aquele amor. 

Mas algo estranho me fez eu me sentir estranha. Senti que estava perdendo aquele amor, e que um dia, dias como aquele não existiriam mais. Mas aproveitei aquele dia como se não houvesse amanhã.

Ficamos na sala brincando por um tempão, até quase duas da madrugada e a mamãe dizia: 
Pitty: Já está na hora de ir para a cama. Está tarde... vem eu te levo...
E eu: Não, só mais um pouquinho, quero ficar aqui com vocês. Quero mais abraço mas beijinho e mais cócegas haha.
E o papai: Já é hora da neném ir dormir. E nós também. Vamos juntos. Vamos deitar os três na sua cama até você dormir. 

Fomos os três, e ficamos deitados com a luz bem baixa, eu mamando e mexendo na barba do papai, até que adormeci.

Não vi mais nada.
De repente eu estava em um lugar, parecia um hospital. Estava muito embassado e confuso, as pessoas falavam coisas e eu não entendia. 
Gritava pela minha mãe e ninguém ouvia, chamei o papai mas ninguém me dava ouvidos. 
Continuei andando, estava com frio e em um corredor eu via um quarto aberto. Eu ficava da porta observando... estavam todos lá. A vovó o vovô, meus tios, na cama a minha mãe, ela segurava alguma coisa. O papai estava ao lado dela sorrindo, e ela sorrindo também. 
Entrei no quarto e ninguém me dava atenção, ficavam olhando pra coisa que estava no colo da mamãe, e era tudo muito real, eu comecei a chorar e chamar a mamãe para que ela me deixasse subir na cama. Então ela me olhava e dizia: Olha filha, olha o bebê. Você está crescendo muito rápido não é mais o bebê; Agora temos um novo bebê!
Eu começava a gritar: IRMÃOZINHO NÃO, IRMÃOZINHO NÃO. NÃO QUERO IRMÃOZINHO e eu chorava muito, até que uma enfermeira me tirou do quarto e fui me afastando da minha mãe até que eu não a via mais, estava distante de braços esticados. 

Então acho que acordei, gritando IRMÃOZINHO NAO, NAO QUERO IRMAOZINHO, IRMÃOZINHO NÃO, PAPAI, NAO! MAMÃE, QUERO A MAMÃE! Acordei suada, minha roupa estava gelada, molhada eu estava com a febre saindo do meu corpo em forma de suor, a mamãe entrou correndo no meu quarto quando me ouviu gritar, o papai junto e eu ainda estava sonhando, sonolenta, ela me abraçou e disse pra eu me acalmar e ficar tranquila que ela estava lá, papai tirou minha roupa toda molhada e trocou outra seca e quente e  eu continuava a gritar e a chorar, ainda não havia acordado.

Mamãe mediu minha temperatura, estava com quase 39°C de febre rapidamente o papai me deu remédio em uma seringa direto na garganta, em seguida o peito da mamãe para que eu não vomitasse todo o remédio sem água que havia tomado. Então ficamos ali, ela me ninando e me acalmando para que eu conseguisse dormir novamente, sem pesadelos, sem terror noturno, papai apagou a luz e deitamos novamente os três juntos. Ficamos assim até o dia seguinte. 

Ouvi mamãe conversar com o papai pela manhã e dizer que está preocupada por não saber o que vai fazer quando isso chegar.

Isso o que? Eu não entendi. Abri meus olhos e continuei abraçada à mamãe sem dizer nada, sem me mexer. Chorei baixinho, eu estava com dor no corpo e minha cabeça e minha garganta doía muito. 

Quando levantamos fomos ao médico e passei o dia agarrada á mamãe por ter tomado uma injeção, fiquei com dor na perna e tudo me fazia chorar. Não sei se pela dor ou pelo sonho, que não saía da minha cabeça.

Eu não queria aquele pesadelo e não quero nunca que ele se torne realidade.

2 comentários:

  1. Oi Hanna! Tudo bem contigo? Já li sua fábrica inteira várias vezes e sou realmente fã! Você escreve muito bem! Especialmente quando usa o ponto de vista infantil! Gostaria de saber se você deu continuidade a essa fanfic ou se dará, se tem alguma outra ou pretende fazer outra, adoraria ler qualquer coisa que você escrevesse! Beijo!

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  2. Ooi Ingryd! Obrigada por acompanhar! Eu preciso dar um desfecho para essas fanfics... eu escrevia antes da própria pitty ter uma filha e depois eu fiquei meio enciumada e parei de escrever rsrs mas prometo voltar a escrever e publicar os que já tenho salvo no pc. Caso queira ver outros, tenho as fanfics mais velhas no blog https://capittynhas.blogspot.com/ no qual escrevia com minha irmã e hoje escrevemos uma nova temática com outras personagens no wattpad, caso queira ver também: https://www.wattpad.com/user/MaslanyFics obrigada novamente ♥

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